O MEU PASSADO

14:00 - 29/08/2026 OPINIÃO
Por: Manuel José Dias Ramos

MOTE

Já tirei água à Cegonha!

Já lavrei terra, com o arado

Já ceifei, trigo, na montanha!

Já fui, pastor, a guardar gado!

I

Eu já fiz, de tudo um pouco!

Desde criança, a adolescente.

Nos tempos de antigamente,

A trabalhar, sem receber troco.

Era uma vida de louco!

Mas, não havia, pouca-vergonha.

Nem falsidade, nem manha!

Havia, mais honestidade.

Eu na minha mocidade.

Já tirei água à cegonha!

II

Para regar os legumes da horta,

Cegonhas nos poços, para baldear.

Com os baldes a despejar,

Para poder ter, água solta,

Até ao fim da recolta,

Havia regadio por todo o lado.

O terreno, era cultivado.

Tudo; trabalho, feito à mão.

E na minha geração,

Já lavrei terra, com o arado.

III

Fui agricultor, trabalhei a terra!

Onde me sentia em liberdade.

A viver, longe da cidade.

No meu sítio, lá na serra.

Aos vinte anos, fui, para a Guerra!

Uma arma me acompanha.

A dormir sem travesseiro, nem fronha.

Sempre atento, ao inimigo.

Mas, também, já ceifei o trigo.

Já ceifei, o trigo, na montanha!

IV

Quase, com oitenta anos de idade.

A vida continua!

Cada um, com a sua.

Com a sua, capacidade.

Foice embora a mocidade!

Tudo, faz parte do passado.

Já fui patrão! Já fui empregado!

Não sou pessoa de ganância.

Em outrora, enquanto criança,

Já fui, pastor, a guardar gado!