MOTE
Já tirei água à Cegonha!
Já lavrei terra, com o arado
Já ceifei, trigo, na montanha!
Já fui, pastor, a guardar gado!
I
Eu já fiz, de tudo um pouco!
Desde criança, a adolescente.
Nos tempos de antigamente,
A trabalhar, sem receber troco.
Era uma vida de louco!
Mas, não havia, pouca-vergonha.
Nem falsidade, nem manha!
Havia, mais honestidade.
Eu na minha mocidade.
Já tirei água à cegonha!
II
Para regar os legumes da horta,
Cegonhas nos poços, para baldear.
Com os baldes a despejar,
Para poder ter, água solta,
Até ao fim da recolta,
Havia regadio por todo o lado.
O terreno, era cultivado.
Tudo; trabalho, feito à mão.
E na minha geração,
Já lavrei terra, com o arado.
III
Fui agricultor, trabalhei a terra!
Onde me sentia em liberdade.
A viver, longe da cidade.
No meu sítio, lá na serra.
Aos vinte anos, fui, para a Guerra!
Uma arma me acompanha.
A dormir sem travesseiro, nem fronha.
Sempre atento, ao inimigo.
Mas, também, já ceifei o trigo.
Já ceifei, o trigo, na montanha!
IV
Quase, com oitenta anos de idade.
A vida continua!
Cada um, com a sua.
Com a sua, capacidade.
Foice embora a mocidade!
Tudo, faz parte do passado.
Já fui patrão! Já fui empregado!
Não sou pessoa de ganância.
Em outrora, enquanto criança,
Já fui, pastor, a guardar gado!


